Estudantes TabletsEm um país cada vez mais bombardeado pelas novas tecnologias móveis, onde estar conectado já é quase uma necessidade básica, professores enfrentam o desafio de tornar mais atraente o ambiente das classes. As tradicionais salas de aula já não funcionam mais. É urgente a necessidade de escolas públicas e privadas se reinventarem e implantarem novas formas de ensinar, que extrapolem meras exposições do conteúdo, segundo especialistas.

Se antes o professor era a referência para um estudante, hoje o conhecimento está por toda a parte, possibilitando inclusive que o fato ensinado seja contestado em tempo real, após acesso a plataformas de busca. Isso demanda a necessidade de adaptação do planejamento pedagógico, na avaliação do professor Simão Pedro Marinho, coordenador do curso de pós-graduação em educação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). “Informação se acha por todo lado. A questão é o que se faz com ela, como transformá-la em conhecimento e saber”, diz Marinho, destacando a importância de o educador colaborar para que o aprendiz construa sentido para tanto conteúdo disponível.

O problema é que, apesar das inúmeras possibilidades oferecidas pelas novas ferramentas, muitas escolas, preocupadas com o posicionamento no “ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)”, ainda são presas à famosa “decoreba”. “Especialmente no ensino médio, há uma pressão dos exames oficiais e uma luta do professor para vencer a matéria. Eles entopem os alunos de conteúdo, e a aula fica chata”, explica Marinho.

Para especialistas em educação, qualquer coisa que dispute a atenção dos alunos compete com o professor, e com vantagem. Gerente de conteúdo do movimento Todos pela Educação, Ricardo Falzetta também acredita que a antiga forma de ensinar está ameaçada. “O professor que insistir em aulas tradicionais não vai conseguir a atenção dos alunos”, diz. Para mudar, é preciso rever práticas.

Experiência. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) defende o uso de tecnologias em sala de aula como forma de enriquecer as oportunidades educacionais (veja os benefícios abaixo). Algumas escolas já compreenderam que a melhor opção é se aproximar do universo dos jovens. É o caso do Colégio Loyola, na região Centro-Sul da capital, que há um mês implantou o Comitê Gestor Discente de Tecnologia. Quinzenalmente, 11 alunos se reúnem para auxiliar a escola a implantar novas tecnologias.

Na semana passada, outra novidade foi comemorada pelos estudantes. O colégio adquiriu 40 tablets, que começaram a ser usados, em sala, para avaliações por meio do aplicativo App Prova, que gera relatórios instantâneos de desempenho.

“Temos retorno imediato sobre que parte da matéria precisamos estudar mais”, conta Larissa Dolabella, 15, do 1º ano. “É bom para o professor, que pode se planejar conforme o nível de dificuldade da turma”, diz Bruno Viotti, 16. “Precisamos usar a tecnologia, algo com que temos prazer, a nosso favor. E o colégio está abrindo as portas para isso”, completa Ana Beatriz Ferreira, 16.

Diretor do Loyola, o padre Germano Cord Neto explica que, no colégio, novas tecnologias são aliadas. “No entanto, não implantamos ferramentas tecnológicas por si mesmas, mas na medida em que contribuem para a construção sólida do conhecimento”, afirmou. “A tecnologia está na vida de cada um, e a escola tem que entrar nesse ambiente de maneira responsável”, completa Bruno Paim, coordenador de Tecnologia Educacional do Loyola.

Artigo escrito por Luiza Muzzi

Fonte: O Tempo