Atividade exercida por professores de maneira autônoma, o reforço escolar é também uma possibilidade de atuação para o microempreendedor. Tanto que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançou uma cartilha sobre o assunto. Segundo o documento, as empresa que atuam neste segmento têm tido uma crescente demanda devido à defasagem do ensino brasileiro.

Em levantamento feito pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), o Brasil lidera o ranking de repetência escolar na América Latina no ciclo de educação básica. O índice do País foi de 18,7% de repetência. Logo atrás, as piores taxas de reprovação eram do Suriname, com 15,7%, e da Guatemala, com 12,2%.

O empresário Artur Hipólito, fundador da Tutores – rede de franquias de reforço escolar – aponta a mudança nas famílias como uma das responsáveis pela queda do desempenho escolar. “A ida da mulher para o mercado de trabalho fez com que a educação de crianças e jovens se tornasse um estresse para a família toda. Ela já não dá conta de acompanhar a educação dos filhos, como acontecia antigamente. Daí a necessidade de ter alguém que faça isso”, explica.

De acordo com o Sebrae, o reforço escolar se enquadra na categoria de cursos livres – o que quer dizer que não obedece a uma regulação específica. Segundo o Ministério da Educação (MEC), cursos livres se caracterizam por possuírem carga inferior a 200 horas/aula e serem de inteira responsabilidade de seus organizadores – ou seja, eles não sofrem fiscalização das Secretarias de Educação ou do MEC.

Com relação à estrutura necessária para a implantação de uma empresa de reforço escolar, a cartilha do Sebrae sugere simplificar. É possível firmar parcerias com instituições de ensino já equipadas, por exemplo. Ainda segundo o documento, a prestação de serviços de reforço escolar compreende “não apenas o serviço de docência, mas a dedicação do profissional a atividades complementares tais como captação de alunos, negociação de preços e horários, controle da agenda e recebimentos e autodesenvolvimento profissional”.

Reforço escolar também é negócio para franquias
A rede Tutores começou a operar em 2008, já no formato de franquias. A ideia de oferecer um reforço escolar incrementado surgiu quando o casal Artur Hipólito e Léa Bueno sentiu dificuldade para encontrar apoio educacional para os filhos.

“Trabalhamos com o conceito de tutoria, muito comum em outros países. Trata-se de um reforço escolar completo e não apenas pontual. Os tutores agem para descobrir o motivo de a criança ou o jovem não estarem indo bem na escola”, explica Hipólito.

A rede opera com o modelo de microfranquias e possui 120 franqueados em todo o País. Não é preciso ser educador – ainda que a maioria dos franqueados seja – para abrir uma unidade. Isso porque fica para o proprietário o gerenciamento do negócio, e não da tutoria em si. O tutor pode ser contratado, ou um colaborador fixo.

Segundo Hipólito, a maior parte das famílias que procuram a Tutores pertencem às classes A e B. “Mas o problema de falta de acompanhamento nos estudos é generalizado. A diferença é que as classes menos abastadas ainda não têm renda para pegar pelo serviço”, afirma.

Um dos benefícios adicionais que lidar com reforço escolar proporciona é o reconhecimento obtido das famílias atendidas. “Temos algo em torno de 54 milhões de estudantes no País. Nos Estados Unidos, onde o conceito de tutoria está mais disseminado, o segmento movimenta US$ 4 bilhões de dólares por ano e atinge 6 milhões de alunos anualmente”, aponta o fundador. “Temos muito para crescer.”

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Especial para o Terra

fonte: http://invertia.terra.com.br/empreendedor/noticias/0,,OI5709929-EI19585,00.html