“É preciso que todos os brasileiros, e não apenas aqueles que têm filhos, identifiquem a educação como um assunto prioritário”, afirma Alejandra Meraz Velasco

Pais ajudando filhos

Pais ajudando filhos

A existência de políticas públicas bem desenhadas e implementadas é condição necessária, mas não suficiente para garantir a todos o acesso a uma educação de qualidade. É preciso que todos os brasileiros, e não apenas aqueles que têm filhos, identifiquem a educação como um assunto prioritário.

Hoje diversas pesquisas já apontam para a importância da participação dos pais na vida escolar das crianças e dos jovens. E os países nos quais a sociedade prioriza a educação são os que ocupam as melhores posições nos indicadores educacionais.

O movimento Todos Pela Educação percorreu em 2013 as cinco regiões do país ouvindo alunos, pais, educadores e especialistas de diversas áreas sobre as ações e comportamentos que fomentam a tão almejada parceria entre a comunidade e a escola. Foram identificados nessas práticas alguns elementos comuns. Com base neles, foram propostas cinco atitudes que podem fazer a diferença se incorporadas na nossa rotina.

Esse conjunto de atitudes tem como principal objetivo ajudar a garantir o direito de crianças e jovens não apenas a uma vaga ou à frequência na escola, mas a um aprendizado de qualidade, que possa garantir uma trajetória escolar de sucesso, o pleno exercício da cidadania e a realização de projetos de vida com maior equidade de oportunidades.

E por trás desse aprendizado há um complexo sistema de atores e instâncias que podem influenciá-lo direta e indiretamente – professores, gestores, governos, pais, comunidade – e que devem atuar de maneira corresponsável e parceira pela Educação das crianças e dos jovens.

Buscamos identificar atitudes simples e que já vêm se mostrando exitosas nesse processo. A primeira delas é a valorização do aprendizado, do conhecimento e do profissional que ocupa o centro do processo educacional: o professor.

Nesse sentido, o Plano Nacional de Educação propõe melhoras salariais e um plano de carreira. Entretanto, além disso, é necessário que a sociedade valorize o professor e compreenda o papel primordial que ele tem na formação da sociedade futura.

Nessa mesma linha, outra atitude orienta a abordagem da educação escolar no cotidiano por meio de ações simples, como a maior interação da família com a escola e com o que crianças e jovens estão aprendendo.

O desenvolvimento de habilidades importantes para a vida, mas muitas vezes deixadas em segundo plano na vida escolar – como saber trabalhar em equipe, persistir e ser criativo –, é o objeto de mais uma atitude proposta. Essas habilidades podem ser aprimoradas ao longo da vida, mas quando estimuladas desde cedo, tanto no ambiente familiar quanto no escolar, têm maior potencial de desenvolvimento.

A quarta atitude consiste em apoiar o projeto de vida e o protagonismo dos alunos. Afinal, toda criança quer e pode aprender, e o resultado será melhor na medida em que o conhecimento ganhe significado dentro da sua trajetória de vida. Os pais podem ajudar as crianças e os jovens a identificar os conhecimentos e ações necessários para que eles alcancem suas metas.

Finalmente, a quinta e última atitude trata da ampliação do repertório cultural e esportivo, uma vez que diversos estudos mostram que parte do impacto negativo na aprendizagem das crianças em situação de maior vulnerabilidade é decorrente da reduzida exposição a um maior repertório que contribua para criar novas referências que conectem o mundo e o que é ensinado na escola.

Hoje, a maioria dos pais e responsáveis pelos alunos do país reconhece a importância do ensino, mas ainda é necessário ampliar o repertório de ações que possam contribuir mais efetivamente para o aprendizado.

Por exemplo, 40% deles dizem não ter comparecido ou ter participado de apenas algumas das reuniões de pais para as quais foram chamados. Esse dado é da pesquisa “Atitudes pela Educação”, divulgada recentemente pelo Todos Pela Educação e por seus parceiros, que traz também outras informações sobre os perfis dos pais em relação à educação dos filhos.

Nesse contexto, o que se propõe, portanto, é que os pais e responsáveis pela educação das crianças e dos jovens participem mais da sua vida escolar, se aproximem da escola e procurem canais de informação que possam facilitar o diálogo. A escola, por sua vez, precisa estar aberta para ouvir as famílias e os próprios alunos, e para estimular essa participação. Cada um no seu âmbito de atuação pode ajudar nesse esforço de valorização da Educação.

As empresas, por exemplo, podem estimular seus colaboradores e facilitar sua participação no cotidiano escolar. Os gestores públicos devem buscar a integração das diferentes pastas dentro da administração para garantir acesso a espaços e materiais culturais e esportivos. Dicas e exemplos de como isso pode ser feito estão disponíveis e podem ser compartilhados no portal que o Todos Pela Educação criou para incentivar essa mobilização.

A ideia é justamente instigar e potencializar a troca de exemplos de como cada um pode fazer a sua parte para que as crianças e os jovens possam aprender mais e por toda a vida.

Fonte: UOL Educação