Com um número de matrículas cada vez maior, essa modalidade de ensino requer o aumento da interatividade entre professores e alunos, além de oficinas de capacitação para facilitar o acesso às tecnologias disponíveis.

Por: Mariana Rocha
 
Um dos pontos principais das pesquisas na área de educação a distância é o desenvolvimento de novas ferramentas para aumentar a interatividade entre professor e aluno separados fisicamente. (foto: Tiffany Szerpicki/ Sxc.hu)
Muito antes da disseminação da informática, a educação a distância já era uma realidade, seja nos antigos cursos por correspondência ou em aulas exibidas pela televisão. Responsável por levar o conhecimento até pessoas que moram longe das universidades, esse método de ensino passou por grandes transformações e sua contínua modernização tenta suprir as necessidades do crescente número de alunos, entre elas, a maior interatividade.

Segundo Klaus Schlünzen, coordenador do Núcleo de Educação a Distância da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), em São Paulo (SP), a tecnologia é a principal ferramenta que permite maior interação entre professores e alunos separados fisicamente. “É preciso formar uma rede de aprendizagem onde alunos e professores criem uma relação não hierárquica e de forte diálogo”, explica.

Schlünzen: “É preciso formar uma rede de aprendizagem onde alunos e professores criem uma relação não hierárquica e de forte diálogo”
Dentre as ferramentas disponíveis, a mais utilizada é o ambiente virtual de aprendizado, uma plataforma on-line onde professores e alunos debatem sobre os assuntos contidos no material didático por meio de fóruns ou conversas individuais. Além disso, é possível registrar em formato digital o que foi discutido para enriquecer a avaliação da aprendizagem, já que o educador pode analisar o processo como um todo e não apenas o aprendizado final do aluno.

O desenvolvimento de salas de aula virtuais avança a passos largos e a interatividade é o ponto chave das pesquisas na área. A criação de programas de computador voltados para a educação a distância facilita o surgimento de novos cursos, mas é preciso preparar os alunos para o uso das tecnologias.

De acordo com Claudete Paganucci, pedagoga que coordena o curso de graduação a distância em pedagogia do Centro Universitário Claretiano, em Batatais (SP), a integração da equipe responsável por administrar os cursos é crucial para o sucesso da educação a distância. “Tanto professores quanto alunos precisam de oficinas de capacitação para que o acesso às novas tecnologias seja um facilitador do ensino e não gere frustração na hora de aprender ou ensinar”, esclarece.

É preciso capacitar professores e alunos para que o acesso às novas tecnologias seja um facilitador da educação a distância. (foto: Zsuzsanna Kilian/ Sxc.hu)
Além de participar das oficinas, é preciso ter dedicação. Paganucci acrescenta que a maioria dos alunos é composta por adultos, que, diferentemente das crianças, têm maior capacidade de concentração ao estudar em casa. Apesar das exigências, o método de ensino permite que o aluno organize seu próprio horário de estudos e concilie a graduação com um emprego.

Preconceitos

Mas a educação a distância ainda deixa muita gente com o pé atrás, como mostra pesquisa feita por Paganucci em seu doutorado na Unesp. Por não saber como funciona a metodologia, algumas empresas ainda não acreditam que o aluno que aprende fora do ambiente físico da universidade tem a mesma capacidade que profissionais formados pelo ensino presencial. “É preciso esclarecer que, muitas vezes, o aluno da educação a distância é mais dedicado que o da educação convencional”, enfatiza a pedagoga. “Aprender de casa exige disciplina e persistência.”

Paganucci: “Muitas vezes, o aluno da educação a distância é mais dedicado que o da educação convencional”
Outro fator que gera preconceito – agora nos próprios alunos – é a distância física do professor. Se o educador não conhece o aluno pessoalmente, como pode atender as necessidades individuais de aprendizado de cada um?

Paganucci explica que a interação, seja por telefone ou nos ambientes virtuais, pode funcionar melhor do que na sala de aula, já que o aluno tem a possibilidade de discutir individualmente – e repetidamente – com o professor sobre o conteúdo trabalhado. Além disso, o material didático pode ser complementado com textos sobre a cultura de cada região atendida pelo programa de educação a distância da universidade.

Apesar dos preconceitos, a adesão à educação a distância vem crescendo a cada dia. Desde 2010, mais de um milhão de pessoas já se matricularam em cursos de graduação nessa modalidade, que tem contribuído muito para democratizar o conhecimento no nosso país.

Mariana Rocha
Ciência Hoje On-line

 

fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/intervalo/2012/03/novos-rumos-da-educacao-a-distancia/view