Histórico e apoio dos pais se mostram determinantes no desempenho escolar dos filhos

Mãe ajudando filha a ler

Mãe ajudando filha a ler

A forte relação entre a família e a escola é um tema bastante estudado em diversas áreas do conhecimento. Assim como na pesquisa “Atitudes pela Educação”, que classificou os pais dos alunos brasileiros em cinco perfis relacionados à valorização da Educação e ao vínculo familiar, vários estudos tentam dimensionar e mapear as atitudes e comportamentos de responsáveis que impactam na relação das crianças e jovens com a escola.

Uma dessas áreas que investiga o assunto é a Sociologia da Educação. O tema surgiu com mais força nos anos 80, quando sociólogos passaram a se interessar pela rede de relações que une famílias e instituições escolares. Os primeiros estudos dão conta do alcance (ou não) que o histórico familiar tem no caminho escolar dos filhos.

Nessa bibliografia, vários artigos podem ser citados. Um deles é o de Nicolau Bandera, intitulado Esforçados e “talentosos”: a produção do sucesso escolar na Escola Técnica Federal de São Paulo”, publicado neste ano. O texto revela que o perfil típico do estudante aprovado no exame de ingresso no colégio (apesar de públicas, as Etecs têm “vestibulinho”) é aquele que está sugestionado a investir na própria formação escolar e cultural. Para investigar o que motiva isso, Bandera entrevistou 21 jovens e fez perguntas sobre o peso das heranças familiares no empenho deles. Ao traçar o histórico familiar desses estudantes, o pesquisador mostra que eles sentem a responsabilidade de continuar “prosperando” economicamente como os pais e avós e, para fazer jus a essas expectativas, usam a escola. Assim, com o apoio e exemplo dos pais, esforçam-se nos estudos.

Outro exemplo são os estudos de Écio Portes – entre eles, o artigo “O trabalho escolar nas famílias populares”. Nele, o pesquisador investiga a vida dos alunos que vieram de famílias pobres, estudaram a vida inteira em escolas públicas e, apesar das adversidades (econômicas inclusive, já que são filhos de trabalhadores de baixa renda), entraram na universidade federal em carreiras disputadas, como Medicina e Engenharia. O texto foi publicado em 2000 – portanto, antes das políticas afirmativas de ingresso na Educação Superior – e conta com entrevistas com seis alunos na Universidade Federal de Minas Ferais (UFMG). Portes afirma que, mesmo nos casos em que o sucesso da trajetória do estudante parece ter dependido apenas do esforço dele, o “trabalho escolar” das famílias – ações e atitudes dos pais que valorizam a Educação e motivam os filhos diariamente – existe e é imprescindível para o jovem ter atingido o objetivo e para seguir os estudos. Mesmo sendo pais e mães que não tiveram a mesma oportunidade, eles acompanham e questionam os filhos sobre a rotina escolar, além de se preocuparem com os mesmos.

O acesso à Educação Superior por meio da matrícula em faculdades particulares pelos jovens de camadas médias é retratado por Geraldo Romanelli em “Famílias de camadas médias e escolarização superior dos filhos – o estudante trabalhador” (2003). A influência familiar, nesse caso, é diferente: os filhos trabalham e, por isso, têm certa independência. Ainda assim, o apoio dos pais surge no formato de assistência financeira para pagar a mensalidade parcial ou integralmente e também no fato de que os jovens ainda residem com eles. A figura da mãe no estudo tem especial importância, uma vez que é ela a maior responsável por incentivar os estudos, construindo uma relação cotidiana de diálogo e também de transmissão de conhecimentos do filho universitário para a progenitora, que não teve a oportunidade de frequentar a universidade.

Para saber mais sobre esse assunto, visite a biblioteca do Observatório Sociológico Família-Escola – é um grupo de pesquisa ligado ao Departamento de Ciências Aplicadas à Educação e ao Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação da UFMG (FaE).

Há também periódicos acadêmicos que publicam estudos e artigos sobre o tema. Visite oScielo.

Campanha
A pesquisa “Atitudes pela Educação” é uma iniciativa do Todos Pela Educação, Fundação Roberto Marinho, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco e Instituto C&A, com realização do Instituto Paulo Montenegro e do Ibope Inteligência. O estudo faz parte das ações de lançamento das 5 Atitudes pela Educação, que devem ser incorporadas por famílias, escolas e comunidades, defendidas pelo movimento.

Para saber mais sobre pesquisa “Atitudes pela Educação”, clique aqui.

Para ler o estudo completo, clique aqui.

Fonte: Do Todos Pela Educação