Descanso mental reforça memória e aprendizado futuro

Desajuste do relógio biológico pode ser a causa das notas baixas

Um grupo de pesquisadores de diversas regiões do país lançou recentemente, no Rio de Janeiro, a Rede Nacional de Ciência para a Educação, com intuito de otimizar o aprendizado escolar tendo como base estudos científicos. Um desses estudo, por exemplo, comprova que a maioria dos indivíduos tem mais dificuldades de concentração no período da manhã.

O objetivo do grupo, de acordo com Roberto Lent – um dos idealizadores da proposta -, é conduzir estudos capazes de investigar como ocorrem os processos de ensino e aprendizagem, gerando evidências científicas que possam subsidiar melhores práticas pedagógicas e, assim, otimizar o aprendizado escolar.

Para Lent, que também é diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), não tem sentido obrigar jovens a acordarem às seis da manhã e exigir deles que, às sete, já estejam atentos para aprender matemática em suas primeiras atividades escolares.

“Por essa lógica, seria muito mais produtivo, por exemplo, iniciar o dia com atividades lúdicas, como música ou esportes. Deixar aulas de disciplinas que demandam maior esforço e concentração para mais tarde”, explica Lent.

Para o neurologista e neuropediatra baiano Fabrício Guimarães Júnior, a iniciativa do grupo de pesquisadores é válida. “De fato, a concentração dos indivíduos fica comprometida nas primeiras horas do dia. Alguns conseguem se adaptar melhor a essa situação. Outros apresentam grande dificuldade e são tratados como preguiçosos pelos professores e pela família”, constata o especialista.

Segundo Fabrício, é importante conscientizar os educadores sobre a importância do repouso para o desenvolvimento do estudante. “O ambiente escolar também pode melhorar se o horário das aulas e as atividades propostas forem ajustados ao ritmo do corpo”, completa.

A dona de casa Elisa Borges de Jesus, 47, atendeu aos pedidos do filho Matheus de Jesus Carvalho, 10, e transferiu o estudante do 4º do ensino fundamental para o turno vespertino. “Ele vivia me pedindo para mudar. Disse que não conseguia prestar atenção nas aulas. Esse foi o primeiro ano dele estudando à tarde. As notas melhoraram”, comemora Elisa.

Pesquisa

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) fez, no início do ano, uma pesquisa no Centro de Educação Integrada, em Natal.
Os resultados indicam algumas medidas para driblar o relógio biológico dos adolescentes.

Deixar as janelas das salas de aula sempre abertas para que tenham boa luminosidade; programar aulas de educação física nos primeiros horários; ir ao laboratório, discutir em grupo ou participar de atividades que saem da rotina; e incluir o sono nos debates em sala de aula fazem com que o aluno dê mais atenção à qualidade do descanso e tente adaptar seu organismo aos horários da escola.

Fonte: A Tarde