Violência Infantil

Violência Infantil

A criança que convive ou presencia no seio familiar todos os dias a violência doméstica, acaba sendo prejudicada no seu desenvolvimento de aprendizagem, além de agressividade excessiva, tristeza, apatia, nervosismo dentre outros e as pessoas que convivem em sala com essa criança são as que mais conseguem presenciar e identificar essa violência através da conversa e acaba fazendo o papel de psicólogo para tentar procurar saber o que está acontecendo com a criança. Pois, percebe-se que não é normal uma criança mudar de comportamento de uma hora pra outra, algo deve estar acontecendo, já que talvez os pais em casa não consigam ver o problema, pois, quando o professor conversa com os pais ou responsáveis sobre o comportamento e atitude da criança, os mesmos respondem que em casa a criança não faz isso. Ou será que faz e escondem?

Por isso, a família precisa pensar duas vezes antes de começar com as brigas, discussões, agressões verbais, psicológicas e físicas na presença da criança, pois, isso acaba acarretando traumas e marcas para toda a vida da criança. E, se não fosse só isso, as nossas crianças também são vítimas de uma sociedade que a violenta a cada momento por meio da negação dos seus direitos básicos como um lar para morar, saúde, alimentação, direito de brincar, de ter uma vida digna e ser feliz.

A violência doméstica contra crianças e adolescentes é um fenômeno cada vez mais crescente, marcado pela incapacidade que eles têm para se defender. Essa modalidade de violência envolve abusos físicos e psicológicos, abandono, exploração, deixando marcas não só no corpo das pessoas que sofrem violência no meio familiar, também nas que presenciam esses abusos pode apresentar graves problemas emocionais, comportamentais e cognitivos, o que pode prejudicar sobremaneira a sua capacidade de socializar-se, de aprender e desenvolver relacionamentos positivos.

E é no espaço em que a criança permanece por mais tempo (escola ou creche) após o seio familiar, que a criança reproduzirá o que vivencia em casa e reproduz isso com os colegas e professores no espaço ou na sala de aula, através das agressões diversas. Nota-se que cada vez mais têm casos de crianças que sofrem violência por parte daqueles que mais deveriam prezar pela sua segurança, que são os pais e a família ou outras pessoas que são responsáveis pelas mesmas. Ato que destrói ainda mais a vida da pessoa violentada.
De acordo com Azevedo (1997, p. 233): “As crianças vítimas de violência formam no Brasil um país chamado infância que está longe de ser risonho e franco”.

O meio familiar deve ser um espaço privilegiado para o desenvolvimento físico, mental e psicológico de seus membros e é considerado também como um lugar sagrado, sem brigas, conflitos, discussões e agressões seja ela qual for, física ou psicológica.

É importante enfatizar, como fazem Azevedo e Guerra (1998, p.25) que “toda a ação que causa dor física numa criança ou adolescente, desde um simples tapa até o espancamento fatal, representam um só contínuo de violência”. Sendo assim, torna-se necessário defender o direito constitucional de que crianças e adolescentes têm de estar salvas de toda forma de violência, crueldade e opressão para que tenham uma vida digna, enquanto pessoas em situação peculiar de desenvolvimento e enquanto seres humanos.
Percebe-se de alguma forma como a violência doméstica interfere no processo de aprendizagem e nas vidas das crianças vítimas dela, sobretudo no âmbito educacional. É um mito pensar que isso não acontece com crianças pequenas, pois, as mesmas, na maioria das vezes acabam presenciando em casa, aprende com os colegas, nos jogos eletrônicos muito violentos, filmes e alguns meios de comunicação e às vezes até mesmo no próprio ambiente que estuda com outros colegas.

No entanto, para se chegar às raízes do problema da violência doméstica, é necessário modificar esse mito de família, enquanto instituição intocável, para que os atos violentos ocorridos no contexto familiar não permaneçam no silêncio, mas que sejam denunciados às autoridades competentes a fim de que se possam tomar providências, pois, as crianças são seres sem defesa, mas com direito garantido por lei. As escolas, creches e a sociedade em geral precisam desenvolver algum trabalho seja ele projeto ou algo parecido para trazer essas famílias que precisam de ajuda para a escola e unidade procurando através de seminários, palestras, entre outros, estar levando esclarecimentos e plantar uma sementinha no coração de cada família para ajudar não só a criança, mas toda a família buscando assim quem sabe diminuir a violência existente no meio familiar, pois, se nada for feito, a tendência é piorar e ai teremos para o futuro mais adultos agressivos, rebeldes e violentos.

A paz começa em casa e os pais precisam assumir responsabilidade com seus filhos e participar da educação deles, pois, lei não resolve problema de violência, mas educação sim. “A paz é um dos anelos mais profundo do ser humano”. Vital Didonet (2007).

(*) Fátima Albuquerque, professora de educação infantil

Fonte: A Tribuna Mato Grosso